Imprensa celebra Jerônimo Coelho

Data: 07/08/2018

Publicado pelo Grande Oriente de Santa Catarina - GOSC


O Dia da Imprensa Catarinense foi festejado, em 27 de julho, com cerimônia na Praça XV de Novembro, junto ao busto de Jerônimo Coelho, em Florianópolis. O GOSC foi representado pelo Irmão Getulio Correa, Grão-Mestre Honorário.

A data celebra o surgimento do primeiro jornal de Santa Catarina, O Catharinense, em 1831, fundado pelo lagunense Jerônimo Francisco Coelho (1806-1860).

A primeira edição foi lançada em Desterro (hoje Florianópolis), quando Jerônimo Coelho tinha 25 anos. Hoje, restam alguns poucos exemplares do jornal, que estão na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e na Biblioteca Pública de Santa Catarina. Já a prensa usada para imprimi-los está no Museu Anita Garibaldi, em Laguna.

Além de jornalista, Jerônimo Coelho se destacou nacionalmente como militar e político. Antes de retornar a SC, foi presidente das províncias de Grão-Pará e Rio Grande do Sul. Exerceu, ao mesmo tempo, os cargos de ministro da Marinha e da Guerra de Dom Pedro II.

Em Santa Catarina, além de idealizar O Catharinense, criou um segundo jornal (O Expositor) e fundou a primeira loja maçônica do Estado. Por isso mesmo, além de ser um nome histórico da imprensa, é também patrono da maçonaria catarinense.

“É uma honra continuar reverenciando esse ilustre catarinense, que foi um homem público probo e deixou um legado muito importante para a imprensa, principalmente no que se refere à ética”, ressalta Ademir Arnon, presidente da ACI.

O legado do patrono da imprensa catarinense*

Quase dois séculos após a fundação de O Catharinense, o legado jornalístico de Jerônimo Coelho ainda ecoa em Santa Catarina. Nascido na Vila Nossa Senhora dos Anjos de Laguna e conhecido como “Espada Falante”, tinha sempre presente a verdadeira missão do Jornalismo: a responsabilidade com a sociedade, para auxiliá-la em suas decisões, enriquecê-la culturalmente e colaborar com o fortalecimento da cidadania.

Nesse marco, ele sempre priorizou a defesa dos oprimidos. A liberdade de imprensa que ele defendia estava ligada ao atendimento dos mais necessitados.

Jerônimo Coelho chegou a Desterro, na época com apenas 6 mil habitantes, para proteger os humilhados, incluindo os escravos que viviam na cidade. Por isso, escreveu no primeiro número de O Catharinense:

“Prometo velar solícito da guarda da inocência: ela não terá mais de gemer em silêncio, e aqueles que a oprimam, terão de ser dados ao prelo (tipografia), para serem apontados como opressores da humanidade. Eles jamais poderão encarar a liberdade de imprensa sem horror porque, por meio dela, os seus crimes e suas tramas serão sempre expostos ao conhecimento dos povos.”

Para ele, a imprensa não devia se conformar em apenas noticiar fatos, mas também mostrar o caminho para a inclusão social. “Pelo seu intermédio vós podereis comunicar mutuamente vossos pensamentos e ideias, e desta arte as luzes se propagarão com rapidez e facilidade”, enfatizou.

O patrono da imprensa catarinense sempre priorizou a independência jornalística, evitando a armadilha de ser porta-voz dos poderosos. Preferiu a vida simples, sem luxos, para poder servir a sociedade com autonomia.

Como escreveu o almirante Henrique Boiteux, na biografia sobre o jornalista:

“Pobre nasceu; de mãos limpas viveu e com elas puras morreu. Viveu na honradez e probidade, uma vida sem fausto nem luxo. Acomodava-se às suas circunstâncias e a muitos que lhe estranhavam aquele modo de proceder, contentava-se em dizer: a minha pobreza é a minha riqueza”. 

* Por Billy Culleton, diretor da ACI.